quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Rock Rural

Se torna evidente então
Meu desejo meio segredo
De estar ao lado seu
Sentir o bem que sai de ti
Da tua paz num fio vir
Eu a pôr reparo em tudo
Nesse jeito seu meio que eu
Do que sai de mim e segue a ti
Que no mesmo fio vai
Nisso a tensão sentindo vou
Tocar você não posso não
Se esse trem vir a vingar
Carece então virar canção






Dalila

Parrila



Me chamam
Quase sempre
Toda hora
Oi!



Sorriso...



Ninguém sabe
Nem eu sei
Na verdade
Quem mora
Dentro do meu nome






Dalila

Essência

Desejo não mais fantasiar.
Já não quero mais
essa coisa de sonhar.
Eu desejo parar.
Entender de uma vez por todas
que borboletas não tem nomes,
tão pouco são flores com asas
que vem me contar
o que eu quero saber
o que eu quero acreditar.
Já não quero mais sorrir pra manhã,
brincar com o sol a tarde,
beber o céu da noite,
Imaginar e imaginar...
Deixar de ser pó de paz,
quando eu nem a tenho mais.
Tantos sonhos dentro do meu travesseiro...
Luz bonita que brilha na água,
estrelinhas da superfície,...
Me diz que não existe!
Me faz acordar,
esquecer o que é o mar!
Isso de só desejar,
não tocar,
frustrante assim,
Tão perto de mim!...
De alma sozinha e segredo
são feitos os devaneios antes de dormir.
Enxergar o que se quer,
miragem do sentir.
Idéias de travesseiro
não são inofensivas.
Faça acontecer
ou desejo somente seguir
sem essa minha essência
mista de inocência
e miragem do sentir.

Cá Dentro


Enquanto rio
Te enlevo
Enquanto falo
Desvio sua atenção
Enquanto canto
Digo o que sinto
Enquanto ouve
Confuso te faço
Assim te enlaço
No mistério que traço
Nada premeditado
Sigo canção
De ir e vir nessa estrada
Tanta parada
Aperto de mão
O sorriso que fica
Meu pedido meigo
Não vá embora, não
Quando me abro
Me conhecer
Quando me fecho
Me protejer
Dos sonhos que crio
Das horas que passo
Escrevendo rastros
Pra você entender






Dalila

Flor da Noite

O planeta na mesma e rotineira órbita,
num dado momento nele nasceu,
a Flor da Noite que vive estranhando o Sol.
Flor da Noite, irmã da Lua.
Se planeta é poeira,
essa flor...
Flor que gira, gira,
nada entende,
mas sente.
O planeta voltou ao ponto em que estava,
quando a terra envolveu a semente
cheia de pena.
Com o calor roubado do Sol,
furtado calor do Sol,
acalentou a semente
que só a noite vinha ver.
É segredo que ela foi cuidada,
que hoje vive entre as flores do dia.
O Sol não sabe que ela foi adotada.
Misturada foi com as outras flores - sentia.
Ela sabe, a Flor da Noite, pois estranha o Sol. 
Embora sinta seu calor,
não sabe lidar com ele,
de tão desconhecido que é.

Amor.

Flor da Noite,
misturada entre as outras,
estranhando a claridade do jardim,
passou pelo mesmo ponto em que estava,
quando foi abraçada pela terra,
escondido do Sol.

Girando em cima de um grão de poeira.

Tantas Numa


Filha única
Brinco sozinha
Não tenho medo do escuro
Minha mãe nem liga se eu saí



Vivo numa vila melancólica



Esquecida em casa, com fome
Quero cozinhar feijões, não consigo acender o fogão
Derrubei grãos por toda parte



Assustada, encolhida atrás da casa
Menina forte e corajosa
Não entendo nada
Noite fria e tensa



Moro com meu namorado
Encantador - o meu primeiro amor
Ele sorri quando entro no quarto



Aos olhos mais lindos que já vi
Desculpa se não deu pra despedir
Obrigada por cantar pra mim



Sou anjo sozinho
Moro no lago lendo livros






Dalila

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Domingo


Era eu apertando o caderno contra o peito,
a barra da calça molhada de tanta chuva.
Não viria me buscar.
Tão sozinha eu me senti,
como as cartas que escrevi,
que não entreguei.
Rasguei.
Do pouco que sei,
tenho seus olhos.
Me tire daqui?
O silêncio como resposta do meu chamado mudo...
Me privaram do chamar cotidiano.
Coisa tão habitual,
não tenho, não.
Papel colorido escondido no livro
que era pra ser seu...
Nesse muro invisível que nos separa,
fico ouvindo os tijolos à cata de qualquer coisa sua,
esperando que do outro lado seu ouvido esteja próximo
também me procurando.
Metade você.
Eu sou.
Amo ser.
Falta faz te ter...
Mato a saudade dos seus olhos olhando pros meus.