sábado, 10 de agosto de 2013

Sabedoria dos pés

Deixar-se levar
pela sabedoria dos pés.
Deixar-se ir.
Fui.
Segui-os.

Tirar a consciência dos passos,
é abrir a percepção de mundo
e das coisas do mundo.

Vi muitos outros passos,
mas eles eram diferentes,
pareciam ter rumo certo.

De início, meus pés também tinham rumo certo.
Rumaram para onde deviam
e depois me pediram liberdade.

Onde me levariam?

Rio. Quantas poesias nascerão deste poema?

Conheci uma senhorinha linda,
de 80 anos.
A conheci seguindo o aroma
do café da roça.
Torrado e moído em casa,
por ela mesma,
dizia.

Vi todo meu povo
nos olhos dela.

domingo, 4 de agosto de 2013

Três Vezes

Formas etéreas, efêmeras, frágeis,
esperavam no quarto,
guardadas dentro do incenso,
esperavam transcender.
Esperavam por aquela que sempre vinha...
Por vezes feliz e dançante,
outras,
absorta em qualquer sentimento cinza,
como a suave fumaça que fazia nascer,

com três sopros.
Inspirava amor, expirava gratidão.
Três vezes.

Serenava na serenidade do que transcendia.
Agradecia.

Sentimentos cor da fumaça e percepções indizíveis...
Com qual alma calma poderia partilhar
a simplicidade do rodopiar
pelo quarto
com o incenso
transcendendo?

Era cinza ser sozinha em coisa tão bonita.
Escreveu.

Com três sopros.
Inspirava amor, expirava gratidão.
Três vezes.

                                        (À Letícia Batista)