domingo, 26 de setembro de 2010

Cantos de mim

Feche os olhos, bom amigo
Você é capaz de sentir comigo?
O dia que vem subindo
Sinta de olhos fechados...

Sentir o dia nascer
É bem mais que existir
Quase um transcender
Um deixar ser...
Mágico e bom

Toda energia chegando leve
Se fazendo dona gentil
Se acomodando nos cantos de mim
E mais e mais e mais...
Empurrando as paredes de mim
Com carinho e cuidado
Fazendo infinito espaço
Nos cantos de mim

Respiro fundo e ela é minha
Arraigada nos movimentos meus
Eu sou energia e ela sou eu
Mágico e bom...
Acho que é isso


06h29min
26 de setembro de 2010

Iluminar

Deixa eu ser até o fim acabar,
que nada mais resta nessa espera
que a noite voar.
Fica guardada, luz, por mais um tempo,
logo conseguirá seu intento,
iluminar...
Pra algo bom é destinada,
Luz que nunca se apaga.
Alimenta esperança,
descobrir afinal a que veio,
se sorriso anjo,
se puro receio.
Dança em mim certa alegria,
dessas sem motivo
que é constante companhia.
Que faz apenas ser feliz!
Assim, na linha suave
que a música desenha no ar,
a felicidade de apenas ser
nada mais que energia!
Deixa então essa música fluir
Nela o tempo viajar,
Seguir, seguir...


Iluminar.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Tempo

Idéia ilusória nosso tempo.
Um dia pensei que ano fosse soma dos dias.
Ano é caminho em volta de estrela.
Dia é giro solitário entorno da gente.
Girando dia em volta do ano,
que é dia n'outro lugar
Dia maior que ano.
Só porque a gente dorme
quando a luz vai pro outro lado,
a gente acha que é verdade.

Pra mim o tempo não existe.

Sim

Tudo dizia não deve existir
Tudo dizia não é seu
Tudo dizia não é pra você
Tudo dizia não

Eu não entendia
Eu não aceitava
Eu não queria
Que fosse assim

Então eu disse eu existo
É meu
É pra mim
Eu disse sim



03h:09min
19 de setembro de 2010

Pois é

Me afastei da multidão como quem quer sentir e só isso.
Não queria interferência daquelas vozes estranhas.
Tinha de me entender com aquilo que sentia,
meus pés gelados
e meu agasalho emprestado.

Caminhei até meu lugar preferido,
onde tudo é sozinho,
um grande eu comigo.
Via onde meu desejo mora,
sorri um sorriso de amor,
puxei mesmo um bom trago
e soltei ele no ar.

Meu desejo não sabia que eu o via.

Expectativa

Observava
Gastava a palavra
Eu comia a palavra
Cuspia a palavra
Girei a palavra no espaço
Do que eu pensava

Desprezei-a
Com gosto e com força
Trem egoísta
Suma de mim
Não gostei de você

Fitando a palavra
Encarando a palavra
Eu quis bater
Chutá-la
Até que palavra deixasse de ser


01h37min
19 de setembro de 2010

Confabulando Minutos


Tenho vontade beijar o que diz
Tenho vontade tocar o que você é

Se vontade dura cinco minutos
Tem alguma coisa errada com o tempo




02h49min
19 de setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Nebulosa Volátil

Ficam mudando de lugar
Como fluido
Ariscos
Volúveis
Gasosos
Fumaça

São difíceis de encurralar
Acuar
Laçar
Domar
Fazer deles
Palavra

O poeta fica caçador
Espreita
Vigia
Estuda
Pega ainda no vácuo
Resquícios do que sentia
Pois já não sente o mesmo
Quando a palavra lhe vem

Contenta-se com ela
Embora insatisfeito em seu íntimo
Respeita e aceita
Natureza etérea

Até que em outra noite insone
O poeta é tentado
Vira caçador
De sentimentos



Que são volúveis
Como nuvem
Difícil congelá-los
Em palavras

Montanha




Ainda me lembro bem
Que fechando meus olhos
Ia para a montanha
Dentro de pensamento

Tenho andado com vontade
De gritar céu
Não cabe mais em mim
Sair puro céu da minha boca
Jogar mais céu no azul do céu
Céu encontrando com mais céu

Tenho andado com vontade
Ser eu mesma olho inteiro
Cabe tão pouco no meu campo de visão
Virar a cabeça não me satisfaz
Imensidão - toda ela olhar
Simultaneamente
Eu mesma – olho inteiro ser

Montanha somada a mim
Sou ser imenso
Ando com vontade
Ser a liberdade
Meu corpo me prende
Tenho andado com vontade
Explodir!
Pra virar liberdade
Virar olho inteiro
Mas ainda existir

Abri os olhos e estava na montanha



15 de setembro de 2010
00h10min

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Arco-íris

O dia nasceu em mim,
posso entender agora.
Não é que é assim mesmo?
Que as emoções são cores
da alma da gente...
Que quem não sente
vive cinza e opaco...

Ah! Meus dias coloridos!
Emoções – eu as tenho tanto!

Meu arco-íris tem muito mais que sete cores!

(Ouvindo "Dear Prudence" – The Beatles)

Vento sou eu

Dormi de porta e a janela aberta
Vento calmo cumprimenta
Cada livro meu – voa pensamento



Inspiro o que veio com o vento
Vem morar dentro de mim



Deixaram pegadas nos móveis
Rastros nas folhas em branco
Inspirei a inspiração
De outros poetas meus



Eu dormia e sonhava
Natureza criativa- preguiçosa
Vento nas árvores tem barulho de água
Inspira sonho molhado
Acordei versos que sonhei
Os enrolei e aqui guardei



A paz que recebo dessas tardes
Solto no mesmo vento que trouxe
Vai virar bem pro mundo
Saia dançando pelas praças
Vai virar poema meu






Dalila

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Insone setembro

Um companheiro disse
Manhãs de setembro
Eu pensei bem
Nunca tinha reparado
No diferencial

Não vi abril em setembro
Gosto mesmo é de abril
Mas achei tão bonito isso
De manhãs de setembro
Quis pegar amor no mês

Meu problema...

O cursor fica a piscar
Amiga vela meu sono
Que eu ando com receio de os olhos fechar
Parace que qualquer coisa ruim pode acontecer
Como se vigiar preciso fosse

"Não vai acontecer nada, não."
Obrigada por vigiar o mundo para eu dormir






Dalila

Seria tudo azul

Uma noite insone
Letras dançando comigo
Um banho me disse bom dia
Então cantei com os pássaros

Saí sem agasalho de manhanzinha
Bem antes da hora
Pra ver o rio
Garça pegou o peixe
Vôou tão baixo
Quase toquei

Os pássaros ficam meio loucos de manhã
De toda cor, eles são
A luz do sol vindo pra mim
Devagarinho, contra a correnteza

Um bom amigo me deu um cigarro
Depois do susto
Eu dançava um blues
Que vergonha

Lugar onde nada me alcança
Onde ainda sou menina sonhadora
De cidade pequena
Dá pra ouvir todo o barulho que essa cidade faz

Fui tão útil
Almoçei direitinho
Tirei foto do prato pra você ver
Do prato vazio

Conheci pessoas de longe
Falavam outra língua
A gente se entendeu bem
Contei o real motivo
Pelo qual estava assim meio louca como os pássaros

Ganhei abraço
Engasgo com chôro
Sorrir demais é desespero
Ando impressionada
Com a frieza da vida

Se fosse do meu jeito
Seria tudo azul




Dalila

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Poeira

Ouvi sua voz
Você anda arrependido, não?
Se queixando da escolha que fez
Sobre nossas decisões
A gente é assim mesmo
Acha que tem certeza
Que é a hora de ser feliz
Não esperava tanta liberdade
No fundo queria que te prendesse
Dentro de mim
Não é assim
Não entende
Que quem é livre
Não prende ninguém
A gente gosta mesmo é de curvas na estrada
Mochila nas costas
Montanha bem alta
Poeira
Não entende
Que desejei todo o bem do mundo
Do que você não sabe de mim
Que eu sinto e sei
Da solidão que espera
Quem é livre demais




Dalila

Calmaria

Passei a noite revirando fotos
Virei a noite revendo minha história
O dia bate na janela querendo entrar
Não faço idéia do que me espera lá fora
Que nenhuma notícia ruim venha me procurar
Se nada de bom acontecer
Ao menos a calmaria venha me ver
Receberei-a com o sono de uma noite em claro
Tudo em mim grita "fica"
Não deixo a tristeza me beijar
Vou abrir essa porta
E o que vier será o meu antídoto
Seja calmaria
Porque o lugar mais seguro que conheço
É dentro de mim



Dalila

Transcendente

Calma, gente
Eu sei como foi a chegada
Vou contar pra vocês
Aproximem-se para ouvir

Chegou sem entender nada
Estava tudo muito claro
Muita paz no lugar
Que não era lugar
Como acontece em sonho

Foi bem recebida
Disse que entendia
Que não sabia
Porque algum dia teve medo

Alguém lhe disse que era assim mesmo
Aquele papo do desconhecido
Mas que uma vez ali tenha chegado
Não é bicho de sete cabeças
É muito melhor do que diziam

Viu que estava muito mais próxima dos que gostava
Sentia e sabia de tudo que se passava neles
E agora poderia ajudá-los
Já que fez uma tal amizade
Comunicativa que só

Reencontrou os amigos que foram pra lá antes
Eles mostraram cada canto
Conheceu muita gente interessante
Montou uma banda
Agora ela canta

Fica meio irritada
Levou a essência
Fica mesmo brava
Não pode dizer pra gente parar de chorar
Que lá o tempo corre diferente
Não é como a gente sente

Estamos a um segundo do reencontro
Ela está contente
Tem puxado sardinha pro nosso lado
Quis ajudar o Botafogo
Mas isso não deixaram, não

Está é muito bem obrigada
Passa as tardes conversando com Lennon
Fica toda contente
Não precisa mais tirar fotos
Toda transcendente

Por isso vamos seguindo nesso tempo
Enquanto o nosso corre lento

Tarefa que fica pra gente
Só buscar felicidade
Coisa que a gente sabe
Que lá o tempo corre diferente
Não é como a gente sente

O que eu quiser

Se as palavras que saem
Esgotassem o que arde em mim
Se as palavras fossem
Meu sentimento materializado
Eu escreveria e escreveria
Nem dormiria
Até verificar com ar satisfeito
Que nada mais sentia



Uma pena
Não é bem assim
A gente nem consegue dizer
O que acontece dentro do ser
Tão difícil entender
Essas coisas que a gente sente



Dos meus passos mudos
Das músicas que ouço
Ninguém pode saber
O por que de tanta intensidade
Tento dizer agora
Que a vida faz de mim o que bem quer
Então faço dela o que eu quiser



Dalila

Siga, mundo meu

Meus olhos parados olhando o silêncio...
Passado não combina com o seu nome.
Fico aqui com as pessoas que passam,
ouvindo a cidade que ignora
toda dor...
Me faz companhia?
Ando com medo da vida,
durmo de luz acesa,
não quero arrumar o quarto,...
O mundo devia parar.
Os carros continuam seus trajetos,
os pedreiros empilham concreto,
pra outra vida morar
e o mundo apenas segue.
Mas eu vejo nele,
na cor que o céu ficou,
no pôr do sol,
que eles sentiram também
que dessa dor não queira saber.
Que venham logo os novos dias,
boas notícias,
meu velho sorriso.
Siga, mundo meu!

Anjo Genioso

Eu só queria que a música me levasse
Até o almoço de domingo
Escrevia isso numa tela branca
Usando janela aberta e noite quente
Coisa minha, você entende



Notícias suas chegaram e eu saí
Vi esperança e medo na mesma placa
Que li enquanto te procurava
Luz branca cortou o céu
E foi morar atrás das árvores
Você me encontrou
Sabe onde meus olhos moram



Entrei na madrugada
Levando nossas histórias nas mãos
Sem saber onde as pôr
Elas seriam só minhas
Não queria ter de guardá-las
Com ponto final
Na caixa da minha história
Que ainda segue



O sol da manhã veio me dizendo
Que assim tinha que ser
Da grama que meus pés tocarem
Sentirei duas vezes
Uma por mim
Outra por você
Darei os passos nossos
Pelas terras que a gente queria ver



Ganhei anjo
Meu anjo genioso
Falo com ele por pensamentos
Como esse que escrevi
Como não poderia deixar de ser
Já que senti



Vou dormir
Que assim a vida vira sonho
E o sonho vira vida



Dalila