sábado, 16 de julho de 2011

Rarefeito

Eu já não preciso inflar os pulmões
No “agora digo”
Digo que não disse
E agora já não importa mais

Sabes que as folhas caem
Quando o tempo pede
Sem que se queira
As palavras que não saem
Tem quê de folha dormindo
Prestes a cair pelo ar
Flutuando na imensidão do “e se...”.

Quando acontece
De por acaso baixar os olhos
Num desses fins de noite
Onde se analisa o viver
E o não vivido
Vê-se com sentimento-não-palavra
O que nunca foi dito
Caído no chão
Embalado pelo som
De puro silêncio e dor
Do que devia ter sido
Caso fosse
No “e se...”

Sentimento folha
Agora na minha mão
Sinto pelo não-você
Ainda mais por mim
Que por não dizer
Fiz um poema assim
Raro efeito