domingo, 23 de setembro de 2012

Suspensão

Ele tem todo o tempo do mundo e não tem um segundo como certo.
Não mais.
Deu pra viver suspenso, em espera de qualquer coisa inacreditável.
Não se sabe exatamente por que a vida se rasgou, abrindo-se a ele, 
Mostrando-se toda, 
Em plenitude e intensidade.

Olhar humilde de Marias e Josés,
Risos em meio ao desespero calado,
Resignação esperançosa
Medo silenciado.

Já era sabido que ele sentia.
Tendenciava à harmonia.
Seus olhos, mais que olhar, sentiam.

Quando a vida explodiu, plena  e intensa,
Aberta, 
Absurdamente compadecido, curvado frente as mazelas humanas que via,
Colocou-se inteiro no seu sentir e agiu até a exaustão.
Suspeita-se que a vida estava cansada e, vendo uma essência tão forte, 
Quis desabafar.
Ele tem todo o tempo do mundo e não tem nenhum segundo como certo.
Não mais.
Deu pra viver suspenso.
O silêncio que fica depois de uma grande explosão tem desse efeito,
 Suspensão.