terça-feira, 21 de outubro de 2014

Quantas luas mais
eu contemplarei
para ver-te?
Quantos outros passos mudos?
Acordo,
abro meus olhos para o dia majestoso que se levanta.
Há dias em que a angústia acorda primeiro
que a esperança.
Torna-se necessário conectar-me ao Supremo.
Os céus e a Terra mostram-me sua existência que,
de tão forte e sutil, sagrada.
Há, então, dias
em que a esperança acorda primeiro
que a angústia.
Amar assim é ter fé.
Sorrio envolvida
pela ternura Divina.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Paradoxo

Alma em movimento harmônico, 
força do âmago que dança, 
onde está minha razão? 
Perdi-me entre senoides, 
encarei o sol ardente, 
chorei pra que chovesse, 
segurei uma pedra branca, 
confundi-me entre outras cores, 
busquei-te nos meus livros 
e encontrei o vácuo que a tudo rumina 
em silêncio absoluto. 
Desconcertante silêncio que me silencia, 
o que mais tens a me dizer? 
Deixar ser e estar energia, 
não mais pensar em teorias, 
alma em movimento harmônico, 
ensinar-me isto seria matar minha poesia.

Satélite

Aquele azul escuro profundo do céu,
aquele ponto de luz firme,
constante em seu movimento,
aquela cara de primeira vez,
o traçado bonito no céu daquela luz,
o arco desenhado tão perfeito,
a alvorada anunciando chegada,
pensamentos pegos de surpresa,
olhos arregalados,...
Deveria contar?
Deveria contar os segundos?
Não,
procurar saber algo daquele ponto luminoso
seria desnudar o momento
de sua poesia primeira,
tal como revelar o segredo
da mágica a uma criança
de sorriso iluminado.