sábado, 30 de outubro de 2010

Única Parte

Pegue teu nome e siga.
Desse quinhão, tua parte.
Teu nome.

Peguei meu nome nas mãos
E o amei imensamente...
Minha única parte...

O mundo me estranhava
Que o verbo existir
Não era coisa que eu pudesse conjugar

Coma o teu nome!
Abrace o teu nome!
Chame por teu nome!

Meu nome ali nas minhas mãos
Tão joguete meu...
Eu sozinha com meu nome
Joguete meu
Eu e eu

Com fome...

Disso fez-se força
Maior que a fome
Veio do abraço ao meu nome
 Eu disse: “Vamos, nome meu.”


03h24min
30 de outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Meninas Gerais

São feitas de fuxico bem costurado
Fogão de lenha encerado
Bolão de fubá e café com leite
Carregam dentro delas
O romantismo sonhador
Das mulheres que tecem
A trama das rendas
Rendas de suspiros
Na janela vendo montanha


Algumas passam as horas
Ouvindo aquela canção
Repetidas vezes...
Outras - cobertor e livro
Quando a hora é chegada
Elas sentem e vão
Atraídas pelo pedido da terra


Elas têm algo
De calma e paz no abraço
Chegam colhendo flores
Entregando uma às outras
Vão se aconchegando no chão
Gostam de ficar descalças
De sentir a raiz
Trançam o cabelo uma das outras
Com fios de sorrisos e histórias
Que viveram na janela vendo montanha


Quando a flauta faz companhia pra viola
Elas param...
Só fazem deixar o peito arfar
Sonhar um pouco mais
Olhos num ponto lá no infinito
Vendo aquele sorriso
Então vem a embriagues
Feita de canções da terra
Que os amigos fazem
Voltam cada uma para suas janelas
Canções, cobertores e livros
Satisfeitas rendeiras de lembranças


Querem ser surpreendidas
Algo muito maior do que elas suspiram
Esperam por quem entenda
Que cada gesto delas
Traz tradição e segredo
Esperam que sejam
Descobertas nas Minas
As meninas Gerais
Ouro de paz


11 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ideia das Flores


Quis fazer em mim tudo novo.
Guardei meu passado e certas canções
em uma caixinha decorada com borboletas,
coloquei em um caminhão com minhas esperanças
e me mudei.

Sozinha...

Fiz um pedaço do céu pra eu morar,
pendurei paz na parede,
me apresentei para as flores do quintal,
disse que estaria com elas até que precisassem ir,
já que pras rosas o jardineiro é eterno.
Contei a elas que não seria a primeira vez.
Expliquei que às vezes não é preciso deixar de existir para partir.
Elas não entenderam, fixas que são.

No novo acordei e fui viver.
Meus olhos estranharam meus pés quando viram meu novo calçado.
Contando com o acaso ou com a providência divina,
caminhei de alma leve até minha nova rotina.
E, no meio dela, as ditas canções saltaram aos meus ouvidos.
Não sou dona do mundo e das canções...

Sacudi minhas lembranças pra longe.
No "fui viver lá fora", o mundo me fez lembrar e eu senti muito...
Voltei para o meu canto com os olhos baixos.
As flores do meu quintal me perguntaram o que tinha acontecido.
Foi aí que disse a elas que existem lembranças,
e que existem lembranças tão boas
que doem por serem só lembranças.

Então elas se calaram...

Eu entrei no meu pedaço de céu e fechei a porta.
O que veio depois foi tão bonito!
O vento e as bananeiras do meu novo quintal
cantaram uma canção pra mim.
Triste, mas que inspirava mudanças.
Tenho quase certeza
que foi ideia das flores.

Música, chuva e ela

A chuva brinca
De pular baixinho no telhado
Tem núvem querendo transcender no céu
Que até barulho faz

Chuva é transcendência de núvem
Você não sabia?


Casa gosta de ser aconchego
Uma caixinha com preguiça
Sono e pedaços da gente
E de quem a gente pensa...

Deixa a música ser com a chuva...

Ela acha e é capaz de encantar
Quando diz que música é conversa

Quando chove transcendência de núvem
Ela ouve conversa de música
Transcende música, chuva e ela



04 de outubro de 2010