terça-feira, 27 de julho de 2010

Lira


Uma canção para mim
Feita assim
De passos tranquilos
Chuva de folhas secas
Feita mais que pensada em mim
Feito meu próprio ser
Em notas
Uma canção de dançar por dentro
Sabe como é?
Dançar por dentro?
Que depois de pronta
Pode-se ouvir repetidas vezes
Sem enjoar
Que ainda se pode dançar
Pulando na cama
Fazendo do pente
Microfone
Vocal no espelho
Dentro da gente
Nada que não luz
Sem vazio
Só a canção
Que ainda não fez para mim

Pretenção


Vou te dizer
O que eu acho
Acho que você gosta
Da minha cara de idiota
E da agitação involuntária
Das minhas mãos

Quer saber?
Acho que na verdade você gosta
Que eu vacile em minhas respostas
Para que nós dois
Fiquemos a rir de coisas opostas

Você se achando esperto
Eu rindo da sua inocência
Você suando frio
Transpirando

Pirando
Me vendo pela esquina
Quando ainda nem sai
Da minha cama
Do meu quarto

Eu sei
Que anda pensando em mim
Mesmo que escondido
Bem sei como é
Querer e fingir que não
Fazer birra.
Quer saber ?
Acho, ou melhor, estou certa
Que você não sabe como se flerta
E que gosta de mim




quarta-feira, 21 de julho de 2010

Avidez


Não digo como me sinto.
Não sou piegas.
Não faz bem o meu tipo,
não combina com minha roupa.
Certa feita encontrei no limiar da dor um antídoto,
tomei dele tantas doses consegui.
Com ele a dor não só desapareceu,
 quanto foi menos intensa do que supus.
Lamento a minha sina.



No silêncio do quarto,
no barulho do vento,
na calmaria do tempo,
no calor do ócio.
Olhei para as mudanças,
vieram rápidas.
Pararam tudo.
Calaram todos.
Fez-se chuva.
Que eu gosto tanto.
23:32
Simetria

Serenidade


A luz do sol e o azul do céu entraram no meu quarto
E foram fazendo festa
Eu deixei porque estava tão bom vê-los à vontade
Daquele jeito...
Fiquei bem quieta espalhada na minha cama
Observando a arte deles
Com um sorriso no canto da boca
Não quis espantá-los
Nem eles, nem o que eu sentia

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Agrado


Caminhava sozinha
Sorria absorta
Em qualquer pensamento
Satisfeita com a própria companhia
Seu passo lento degustava a rua
Tinha a tarde livre
Daria um presente a si mesma
Com a calma dos passos, a calma dos pensamentos

Levou os passos e os pensamentos para o lago

O agrado...

Entre seus presentes, o que ela mais gostava era se deixar na grama
Sentir a gravidade, soltar toda e qualquer resistência à ela

Deixar-se ali, leve...
E assim o fez
Descalçou o tênis, tirou a meia e pôde sentir a grama
Viu a graça que as folhas faziam
Desenho bonito...

Aprendeu muito cedo que felicidade não pode depender de ninguém
Percebeu que pessoas iam embora
Viu que no fim era só ela

Fez que seus pés sentissem a grama...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Não senti dor


Hoje me veio a notícia de longe, mas não tão longe para que não chegasse.
Veio como tinha que vir, sem que eu a buscasse.
Entrou naturalmente na minha realidade, sentou-se e fez-se em casa.
Eu a acolhi como devia, sorria.

A notícia me encarou. Eu, desconcertada, vi através dela.
Vi como o viver é surpreender-se.
São impacientes os suicidas, deveriam esperar.
Entendi que resignação é a palavra mais bonita.
O tempo em que não busquei notícias foi o tempo necessário para preparar o quarto.

Fica, notícia. 
Aceito você com a dignidade prometida.
Faça-se na minha vida. 
Não te busquei porque me preparava.
Chegou na hora certa. Estou de pé e a casa está pronta.
Nada como o tempo.

Ao portador dela, disse como o poeta: a gente vive depois esquece.