terça-feira, 1 de novembro de 2011

O resto da vida

Meus olhos cansados olhavam pra ele.
Já não tinha mais jeito, era mesmo aquilo,
sem discussão.
Cotovelo, antes falante,
usava o joelho como apoio.
Todos precisam de um apoio.
Não é assim?
Cotovelo no joelho. Queixo na mão.
Como quem pensa e olha pro nada.
Sentado, segurando o peso dos pensamentos...

E o nada era ele.
Ao menos era o tamanho
Do meu contentamento.
Pensava que era tudo ilusão.
Que felicidade era mito.
Minto.
Que felicidade existia.
Mas pra iludir, mascarar.
Pra não percebermos que às vezes o fim
vinha antes do final.

Ele estava na minha frente.
Meus olhos com um profundo “tanto faz”.
Mas...
Possibilidade de temporal,
com danos atemporais,
me fez cada vez mais preocupada.
Então todo ele se fez importante!
Apertei-o entre meus braços.
Protegi-o do que se formava.
Cogitei futuros reparos,
acaso  muito fosse desfeito.

Então a tempestade se desfez.
Já havia cumprido a que veio.
Era tornar a abrir meus olhos
da parte importante que trazia no peito.
Abracei aquele pouco antes tão frustrado,
Olhei bem dentro daqueles olhos.
Dei um beijo de cada lado.
E disse a ele bem firme que havia enxergado:
“Futuro, sua vez de mostrar a que veio...”