segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sacramento

Espero que passe
Seu passo por aqui
Que se dissolva no tempo
Qualquer ausência sua
Espero que eu esqueça
Do esforço de esquecer
Que vá pra bem longe
Buscar nuvem pra mim

Ele dizia isso pro vento
Tão confuso quanto só
Tão orgulhoso quanto livre
Tão mar quanto montanha

Pensamento quis mudar
Não conseguiu ir muito longe
E se saudade fosse gente?
Se casaria com ela 
Porque gosta de presença

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pai do tempo

Era uma pedra e sobre ela corria
Uma fina porção de água mansa
Sentei ali toda a minha vida


Respeitei a pedra que era
Segundos empilhados por séculos
Fez sentido o carinho da água
Fiz carinho na pedra também


Quis sentir toda ela
Deitei 25 anos nos séculos dela


Na força que me atraía
Pedra era Terra e pedra era eu
Eu era Terra - uma parte dela
Um pedacinho de Terra girando nela


De olhos fechados eu soube
Onde o eterno Oeste vivia
Senti mesmo a pedra me levar
Pedra insiste em querer visitar
O Oeste - nome de velho rabugento


Então me lembrei do Sol
Me falaram muito sobre ele
Sabe que prefiro o que sinto...


Se pedra são segundos empilhados por séculos
O Sol é pai do tempo


05h27min
11 de novembro de 2010

sábado, 30 de outubro de 2010

Única Parte

Pegue teu nome e siga.
Desse quinhão, tua parte.
Teu nome.

Peguei meu nome nas mãos
E o amei imensamente...
Minha única parte...

O mundo me estranhava
Que o verbo existir
Não era coisa que eu pudesse conjugar

Coma o teu nome!
Abrace o teu nome!
Chame por teu nome!

Meu nome ali nas minhas mãos
Tão joguete meu...
Eu sozinha com meu nome
Joguete meu
Eu e eu

Com fome...

Disso fez-se força
Maior que a fome
Veio do abraço ao meu nome
 Eu disse: “Vamos, nome meu.”


03h24min
30 de outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Meninas Gerais

São feitas de fuxico bem costurado
Fogão de lenha encerado
Bolão de fubá e café com leite
Carregam dentro delas
O romantismo sonhador
Das mulheres que tecem
A trama das rendas
Rendas de suspiros
Na janela vendo montanha


Algumas passam as horas
Ouvindo aquela canção
Repetidas vezes...
Outras - cobertor e livro
Quando a hora é chegada
Elas sentem e vão
Atraídas pelo pedido da terra


Elas têm algo
De calma e paz no abraço
Chegam colhendo flores
Entregando uma às outras
Vão se aconchegando no chão
Gostam de ficar descalças
De sentir a raiz
Trançam o cabelo uma das outras
Com fios de sorrisos e histórias
Que viveram na janela vendo montanha


Quando a flauta faz companhia pra viola
Elas param...
Só fazem deixar o peito arfar
Sonhar um pouco mais
Olhos num ponto lá no infinito
Vendo aquele sorriso
Então vem a embriagues
Feita de canções da terra
Que os amigos fazem
Voltam cada uma para suas janelas
Canções, cobertores e livros
Satisfeitas rendeiras de lembranças


Querem ser surpreendidas
Algo muito maior do que elas suspiram
Esperam por quem entenda
Que cada gesto delas
Traz tradição e segredo
Esperam que sejam
Descobertas nas Minas
As meninas Gerais
Ouro de paz


11 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ideia das Flores


Quis fazer em mim tudo novo.
Guardei meu passado e certas canções
em uma caixinha decorada com borboletas,
coloquei em um caminhão com minhas esperanças
e me mudei.

Sozinha...

Fiz um pedaço do céu pra eu morar,
pendurei paz na parede,
me apresentei para as flores do quintal,
disse que estaria com elas até que precisassem ir,
já que pras rosas o jardineiro é eterno.
Contei a elas que não seria a primeira vez.
Expliquei que às vezes não é preciso deixar de existir para partir.
Elas não entenderam, fixas que são.

No novo acordei e fui viver.
Meus olhos estranharam meus pés quando viram meu novo calçado.
Contando com o acaso ou com a providência divina,
caminhei de alma leve até minha nova rotina.
E, no meio dela, as ditas canções saltaram aos meus ouvidos.
Não sou dona do mundo e das canções...

Sacudi minhas lembranças pra longe.
No "fui viver lá fora", o mundo me fez lembrar e eu senti muito...
Voltei para o meu canto com os olhos baixos.
As flores do meu quintal me perguntaram o que tinha acontecido.
Foi aí que disse a elas que existem lembranças,
e que existem lembranças tão boas
que doem por serem só lembranças.

Então elas se calaram...

Eu entrei no meu pedaço de céu e fechei a porta.
O que veio depois foi tão bonito!
O vento e as bananeiras do meu novo quintal
cantaram uma canção pra mim.
Triste, mas que inspirava mudanças.
Tenho quase certeza
que foi ideia das flores.

Música, chuva e ela

A chuva brinca
De pular baixinho no telhado
Tem núvem querendo transcender no céu
Que até barulho faz

Chuva é transcendência de núvem
Você não sabia?


Casa gosta de ser aconchego
Uma caixinha com preguiça
Sono e pedaços da gente
E de quem a gente pensa...

Deixa a música ser com a chuva...

Ela acha e é capaz de encantar
Quando diz que música é conversa

Quando chove transcendência de núvem
Ela ouve conversa de música
Transcende música, chuva e ela



04 de outubro de 2010

domingo, 26 de setembro de 2010

Cantos de mim

Feche os olhos, bom amigo
Você é capaz de sentir comigo?
O dia que vem subindo
Sinta de olhos fechados...

Sentir o dia nascer
É bem mais que existir
Quase um transcender
Um deixar ser...
Mágico e bom

Toda energia chegando leve
Se fazendo dona gentil
Se acomodando nos cantos de mim
E mais e mais e mais...
Empurrando as paredes de mim
Com carinho e cuidado
Fazendo infinito espaço
Nos cantos de mim

Respiro fundo e ela é minha
Arraigada nos movimentos meus
Eu sou energia e ela sou eu
Mágico e bom...
Acho que é isso


06h29min
26 de setembro de 2010

Iluminar

Deixa eu ser até o fim acabar,
que nada mais resta nessa espera
que a noite voar.
Fica guardada, luz, por mais um tempo,
logo conseguirá seu intento,
iluminar...
Pra algo bom é destinada,
Luz que nunca se apaga.
Alimenta esperança,
descobrir afinal a que veio,
se sorriso anjo,
se puro receio.
Dança em mim certa alegria,
dessas sem motivo
que é constante companhia.
Que faz apenas ser feliz!
Assim, na linha suave
que a música desenha no ar,
a felicidade de apenas ser
nada mais que energia!
Deixa então essa música fluir
Nela o tempo viajar,
Seguir, seguir...


Iluminar.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Tempo

Idéia ilusória nosso tempo.
Um dia pensei que ano fosse soma dos dias.
Ano é caminho em volta de estrela.
Dia é giro solitário entorno da gente.
Girando dia em volta do ano,
que é dia n'outro lugar
Dia maior que ano.
Só porque a gente dorme
quando a luz vai pro outro lado,
a gente acha que é verdade.

Pra mim o tempo não existe.

Sim

Tudo dizia não deve existir
Tudo dizia não é seu
Tudo dizia não é pra você
Tudo dizia não

Eu não entendia
Eu não aceitava
Eu não queria
Que fosse assim

Então eu disse eu existo
É meu
É pra mim
Eu disse sim



03h:09min
19 de setembro de 2010

Pois é

Me afastei da multidão como quem quer sentir e só isso.
Não queria interferência daquelas vozes estranhas.
Tinha de me entender com aquilo que sentia,
meus pés gelados
e meu agasalho emprestado.

Caminhei até meu lugar preferido,
onde tudo é sozinho,
um grande eu comigo.
Via onde meu desejo mora,
sorri um sorriso de amor,
puxei mesmo um bom trago
e soltei ele no ar.

Meu desejo não sabia que eu o via.

Expectativa

Observava
Gastava a palavra
Eu comia a palavra
Cuspia a palavra
Girei a palavra no espaço
Do que eu pensava

Desprezei-a
Com gosto e com força
Trem egoísta
Suma de mim
Não gostei de você

Fitando a palavra
Encarando a palavra
Eu quis bater
Chutá-la
Até que palavra deixasse de ser


01h37min
19 de setembro de 2010

Confabulando Minutos


Tenho vontade beijar o que diz
Tenho vontade tocar o que você é

Se vontade dura cinco minutos
Tem alguma coisa errada com o tempo




02h49min
19 de setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Nebulosa Volátil

Ficam mudando de lugar
Como fluido
Ariscos
Volúveis
Gasosos
Fumaça

São difíceis de encurralar
Acuar
Laçar
Domar
Fazer deles
Palavra

O poeta fica caçador
Espreita
Vigia
Estuda
Pega ainda no vácuo
Resquícios do que sentia
Pois já não sente o mesmo
Quando a palavra lhe vem

Contenta-se com ela
Embora insatisfeito em seu íntimo
Respeita e aceita
Natureza etérea

Até que em outra noite insone
O poeta é tentado
Vira caçador
De sentimentos



Que são volúveis
Como nuvem
Difícil congelá-los
Em palavras

Montanha




Ainda me lembro bem
Que fechando meus olhos
Ia para a montanha
Dentro de pensamento

Tenho andado com vontade
De gritar céu
Não cabe mais em mim
Sair puro céu da minha boca
Jogar mais céu no azul do céu
Céu encontrando com mais céu

Tenho andado com vontade
Ser eu mesma olho inteiro
Cabe tão pouco no meu campo de visão
Virar a cabeça não me satisfaz
Imensidão - toda ela olhar
Simultaneamente
Eu mesma – olho inteiro ser

Montanha somada a mim
Sou ser imenso
Ando com vontade
Ser a liberdade
Meu corpo me prende
Tenho andado com vontade
Explodir!
Pra virar liberdade
Virar olho inteiro
Mas ainda existir

Abri os olhos e estava na montanha



15 de setembro de 2010
00h10min

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Arco-íris

O dia nasceu em mim,
posso entender agora.
Não é que é assim mesmo?
Que as emoções são cores
da alma da gente...
Que quem não sente
vive cinza e opaco...

Ah! Meus dias coloridos!
Emoções – eu as tenho tanto!

Meu arco-íris tem muito mais que sete cores!

(Ouvindo "Dear Prudence" – The Beatles)

Vento sou eu

Dormi de porta e a janela aberta
Vento calmo cumprimenta
Cada livro meu – voa pensamento



Inspiro o que veio com o vento
Vem morar dentro de mim



Deixaram pegadas nos móveis
Rastros nas folhas em branco
Inspirei a inspiração
De outros poetas meus



Eu dormia e sonhava
Natureza criativa- preguiçosa
Vento nas árvores tem barulho de água
Inspira sonho molhado
Acordei versos que sonhei
Os enrolei e aqui guardei



A paz que recebo dessas tardes
Solto no mesmo vento que trouxe
Vai virar bem pro mundo
Saia dançando pelas praças
Vai virar poema meu






Dalila

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Insone setembro

Um companheiro disse
Manhãs de setembro
Eu pensei bem
Nunca tinha reparado
No diferencial

Não vi abril em setembro
Gosto mesmo é de abril
Mas achei tão bonito isso
De manhãs de setembro
Quis pegar amor no mês

Meu problema...

O cursor fica a piscar
Amiga vela meu sono
Que eu ando com receio de os olhos fechar
Parace que qualquer coisa ruim pode acontecer
Como se vigiar preciso fosse

"Não vai acontecer nada, não."
Obrigada por vigiar o mundo para eu dormir






Dalila

Seria tudo azul

Uma noite insone
Letras dançando comigo
Um banho me disse bom dia
Então cantei com os pássaros

Saí sem agasalho de manhanzinha
Bem antes da hora
Pra ver o rio
Garça pegou o peixe
Vôou tão baixo
Quase toquei

Os pássaros ficam meio loucos de manhã
De toda cor, eles são
A luz do sol vindo pra mim
Devagarinho, contra a correnteza

Um bom amigo me deu um cigarro
Depois do susto
Eu dançava um blues
Que vergonha

Lugar onde nada me alcança
Onde ainda sou menina sonhadora
De cidade pequena
Dá pra ouvir todo o barulho que essa cidade faz

Fui tão útil
Almoçei direitinho
Tirei foto do prato pra você ver
Do prato vazio

Conheci pessoas de longe
Falavam outra língua
A gente se entendeu bem
Contei o real motivo
Pelo qual estava assim meio louca como os pássaros

Ganhei abraço
Engasgo com chôro
Sorrir demais é desespero
Ando impressionada
Com a frieza da vida

Se fosse do meu jeito
Seria tudo azul




Dalila

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Poeira

Ouvi sua voz
Você anda arrependido, não?
Se queixando da escolha que fez
Sobre nossas decisões
A gente é assim mesmo
Acha que tem certeza
Que é a hora de ser feliz
Não esperava tanta liberdade
No fundo queria que te prendesse
Dentro de mim
Não é assim
Não entende
Que quem é livre
Não prende ninguém
A gente gosta mesmo é de curvas na estrada
Mochila nas costas
Montanha bem alta
Poeira
Não entende
Que desejei todo o bem do mundo
Do que você não sabe de mim
Que eu sinto e sei
Da solidão que espera
Quem é livre demais




Dalila

Calmaria

Passei a noite revirando fotos
Virei a noite revendo minha história
O dia bate na janela querendo entrar
Não faço idéia do que me espera lá fora
Que nenhuma notícia ruim venha me procurar
Se nada de bom acontecer
Ao menos a calmaria venha me ver
Receberei-a com o sono de uma noite em claro
Tudo em mim grita "fica"
Não deixo a tristeza me beijar
Vou abrir essa porta
E o que vier será o meu antídoto
Seja calmaria
Porque o lugar mais seguro que conheço
É dentro de mim



Dalila

Transcendente

Calma, gente
Eu sei como foi a chegada
Vou contar pra vocês
Aproximem-se para ouvir

Chegou sem entender nada
Estava tudo muito claro
Muita paz no lugar
Que não era lugar
Como acontece em sonho

Foi bem recebida
Disse que entendia
Que não sabia
Porque algum dia teve medo

Alguém lhe disse que era assim mesmo
Aquele papo do desconhecido
Mas que uma vez ali tenha chegado
Não é bicho de sete cabeças
É muito melhor do que diziam

Viu que estava muito mais próxima dos que gostava
Sentia e sabia de tudo que se passava neles
E agora poderia ajudá-los
Já que fez uma tal amizade
Comunicativa que só

Reencontrou os amigos que foram pra lá antes
Eles mostraram cada canto
Conheceu muita gente interessante
Montou uma banda
Agora ela canta

Fica meio irritada
Levou a essência
Fica mesmo brava
Não pode dizer pra gente parar de chorar
Que lá o tempo corre diferente
Não é como a gente sente

Estamos a um segundo do reencontro
Ela está contente
Tem puxado sardinha pro nosso lado
Quis ajudar o Botafogo
Mas isso não deixaram, não

Está é muito bem obrigada
Passa as tardes conversando com Lennon
Fica toda contente
Não precisa mais tirar fotos
Toda transcendente

Por isso vamos seguindo nesso tempo
Enquanto o nosso corre lento

Tarefa que fica pra gente
Só buscar felicidade
Coisa que a gente sabe
Que lá o tempo corre diferente
Não é como a gente sente

O que eu quiser

Se as palavras que saem
Esgotassem o que arde em mim
Se as palavras fossem
Meu sentimento materializado
Eu escreveria e escreveria
Nem dormiria
Até verificar com ar satisfeito
Que nada mais sentia



Uma pena
Não é bem assim
A gente nem consegue dizer
O que acontece dentro do ser
Tão difícil entender
Essas coisas que a gente sente



Dos meus passos mudos
Das músicas que ouço
Ninguém pode saber
O por que de tanta intensidade
Tento dizer agora
Que a vida faz de mim o que bem quer
Então faço dela o que eu quiser



Dalila

Siga, mundo meu

Meus olhos parados olhando o silêncio...
Passado não combina com o seu nome.
Fico aqui com as pessoas que passam,
ouvindo a cidade que ignora
toda dor...
Me faz companhia?
Ando com medo da vida,
durmo de luz acesa,
não quero arrumar o quarto,...
O mundo devia parar.
Os carros continuam seus trajetos,
os pedreiros empilham concreto,
pra outra vida morar
e o mundo apenas segue.
Mas eu vejo nele,
na cor que o céu ficou,
no pôr do sol,
que eles sentiram também
que dessa dor não queira saber.
Que venham logo os novos dias,
boas notícias,
meu velho sorriso.
Siga, mundo meu!

Anjo Genioso

Eu só queria que a música me levasse
Até o almoço de domingo
Escrevia isso numa tela branca
Usando janela aberta e noite quente
Coisa minha, você entende



Notícias suas chegaram e eu saí
Vi esperança e medo na mesma placa
Que li enquanto te procurava
Luz branca cortou o céu
E foi morar atrás das árvores
Você me encontrou
Sabe onde meus olhos moram



Entrei na madrugada
Levando nossas histórias nas mãos
Sem saber onde as pôr
Elas seriam só minhas
Não queria ter de guardá-las
Com ponto final
Na caixa da minha história
Que ainda segue



O sol da manhã veio me dizendo
Que assim tinha que ser
Da grama que meus pés tocarem
Sentirei duas vezes
Uma por mim
Outra por você
Darei os passos nossos
Pelas terras que a gente queria ver



Ganhei anjo
Meu anjo genioso
Falo com ele por pensamentos
Como esse que escrevi
Como não poderia deixar de ser
Já que senti



Vou dormir
Que assim a vida vira sonho
E o sonho vira vida



Dalila

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Rock Rural

Se torna evidente então
Meu desejo meio segredo
De estar ao lado seu
Sentir o bem que sai de ti
Da tua paz num fio vir
Eu a pôr reparo em tudo
Nesse jeito seu meio que eu
Do que sai de mim e segue a ti
Que no mesmo fio vai
Nisso a tensão sentindo vou
Tocar você não posso não
Se esse trem vir a vingar
Carece então virar canção






Dalila

Parrila



Me chamam
Quase sempre
Toda hora
Oi!



Sorriso...



Ninguém sabe
Nem eu sei
Na verdade
Quem mora
Dentro do meu nome






Dalila

Essência

Desejo não mais fantasiar.
Já não quero mais
essa coisa de sonhar.
Eu desejo parar.
Entender de uma vez por todas
que borboletas não tem nomes,
tão pouco são flores com asas
que vem me contar
o que eu quero saber
o que eu quero acreditar.
Já não quero mais sorrir pra manhã,
brincar com o sol a tarde,
beber o céu da noite,
Imaginar e imaginar...
Deixar de ser pó de paz,
quando eu nem a tenho mais.
Tantos sonhos dentro do meu travesseiro...
Luz bonita que brilha na água,
estrelinhas da superfície,...
Me diz que não existe!
Me faz acordar,
esquecer o que é o mar!
Isso de só desejar,
não tocar,
frustrante assim,
Tão perto de mim!...
De alma sozinha e segredo
são feitos os devaneios antes de dormir.
Enxergar o que se quer,
miragem do sentir.
Idéias de travesseiro
não são inofensivas.
Faça acontecer
ou desejo somente seguir
sem essa minha essência
mista de inocência
e miragem do sentir.

Cá Dentro


Enquanto rio
Te enlevo
Enquanto falo
Desvio sua atenção
Enquanto canto
Digo o que sinto
Enquanto ouve
Confuso te faço
Assim te enlaço
No mistério que traço
Nada premeditado
Sigo canção
De ir e vir nessa estrada
Tanta parada
Aperto de mão
O sorriso que fica
Meu pedido meigo
Não vá embora, não
Quando me abro
Me conhecer
Quando me fecho
Me protejer
Dos sonhos que crio
Das horas que passo
Escrevendo rastros
Pra você entender






Dalila

Flor da Noite

O planeta na mesma e rotineira órbita,
num dado momento nele nasceu,
a Flor da Noite que vive estranhando o Sol.
Flor da Noite, irmã da Lua.
Se planeta é poeira,
essa flor...
Flor que gira, gira,
nada entende,
mas sente.
O planeta voltou ao ponto em que estava,
quando a terra envolveu a semente
cheia de pena.
Com o calor roubado do Sol,
furtado calor do Sol,
acalentou a semente
que só a noite vinha ver.
É segredo que ela foi cuidada,
que hoje vive entre as flores do dia.
O Sol não sabe que ela foi adotada.
Misturada foi com as outras flores - sentia.
Ela sabe, a Flor da Noite, pois estranha o Sol. 
Embora sinta seu calor,
não sabe lidar com ele,
de tão desconhecido que é.

Amor.

Flor da Noite,
misturada entre as outras,
estranhando a claridade do jardim,
passou pelo mesmo ponto em que estava,
quando foi abraçada pela terra,
escondido do Sol.

Girando em cima de um grão de poeira.

Tantas Numa


Filha única
Brinco sozinha
Não tenho medo do escuro
Minha mãe nem liga se eu saí



Vivo numa vila melancólica



Esquecida em casa, com fome
Quero cozinhar feijões, não consigo acender o fogão
Derrubei grãos por toda parte



Assustada, encolhida atrás da casa
Menina forte e corajosa
Não entendo nada
Noite fria e tensa



Moro com meu namorado
Encantador - o meu primeiro amor
Ele sorri quando entro no quarto



Aos olhos mais lindos que já vi
Desculpa se não deu pra despedir
Obrigada por cantar pra mim



Sou anjo sozinho
Moro no lago lendo livros






Dalila

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Domingo


Era eu apertando o caderno contra o peito,
a barra da calça molhada de tanta chuva.
Não viria me buscar.
Tão sozinha eu me senti,
como as cartas que escrevi,
que não entreguei.
Rasguei.
Do pouco que sei,
tenho seus olhos.
Me tire daqui?
O silêncio como resposta do meu chamado mudo...
Me privaram do chamar cotidiano.
Coisa tão habitual,
não tenho, não.
Papel colorido escondido no livro
que era pra ser seu...
Nesse muro invisível que nos separa,
fico ouvindo os tijolos à cata de qualquer coisa sua,
esperando que do outro lado seu ouvido esteja próximo
também me procurando.
Metade você.
Eu sou.
Amo ser.
Falta faz te ter...
Mato a saudade dos seus olhos olhando pros meus.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Lira


Uma canção para mim
Feita assim
De passos tranquilos
Chuva de folhas secas
Feita mais que pensada em mim
Feito meu próprio ser
Em notas
Uma canção de dançar por dentro
Sabe como é?
Dançar por dentro?
Que depois de pronta
Pode-se ouvir repetidas vezes
Sem enjoar
Que ainda se pode dançar
Pulando na cama
Fazendo do pente
Microfone
Vocal no espelho
Dentro da gente
Nada que não luz
Sem vazio
Só a canção
Que ainda não fez para mim

Pretenção


Vou te dizer
O que eu acho
Acho que você gosta
Da minha cara de idiota
E da agitação involuntária
Das minhas mãos

Quer saber?
Acho que na verdade você gosta
Que eu vacile em minhas respostas
Para que nós dois
Fiquemos a rir de coisas opostas

Você se achando esperto
Eu rindo da sua inocência
Você suando frio
Transpirando

Pirando
Me vendo pela esquina
Quando ainda nem sai
Da minha cama
Do meu quarto

Eu sei
Que anda pensando em mim
Mesmo que escondido
Bem sei como é
Querer e fingir que não
Fazer birra.
Quer saber ?
Acho, ou melhor, estou certa
Que você não sabe como se flerta
E que gosta de mim




quarta-feira, 21 de julho de 2010

Avidez


Não digo como me sinto.
Não sou piegas.
Não faz bem o meu tipo,
não combina com minha roupa.
Certa feita encontrei no limiar da dor um antídoto,
tomei dele tantas doses consegui.
Com ele a dor não só desapareceu,
 quanto foi menos intensa do que supus.
Lamento a minha sina.



No silêncio do quarto,
no barulho do vento,
na calmaria do tempo,
no calor do ócio.
Olhei para as mudanças,
vieram rápidas.
Pararam tudo.
Calaram todos.
Fez-se chuva.
Que eu gosto tanto.
23:32
Simetria

Serenidade


A luz do sol e o azul do céu entraram no meu quarto
E foram fazendo festa
Eu deixei porque estava tão bom vê-los à vontade
Daquele jeito...
Fiquei bem quieta espalhada na minha cama
Observando a arte deles
Com um sorriso no canto da boca
Não quis espantá-los
Nem eles, nem o que eu sentia

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Agrado


Caminhava sozinha
Sorria absorta
Em qualquer pensamento
Satisfeita com a própria companhia
Seu passo lento degustava a rua
Tinha a tarde livre
Daria um presente a si mesma
Com a calma dos passos, a calma dos pensamentos

Levou os passos e os pensamentos para o lago

O agrado...

Entre seus presentes, o que ela mais gostava era se deixar na grama
Sentir a gravidade, soltar toda e qualquer resistência à ela

Deixar-se ali, leve...
E assim o fez
Descalçou o tênis, tirou a meia e pôde sentir a grama
Viu a graça que as folhas faziam
Desenho bonito...

Aprendeu muito cedo que felicidade não pode depender de ninguém
Percebeu que pessoas iam embora
Viu que no fim era só ela

Fez que seus pés sentissem a grama...