quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Altivez

Tocava uma marcha conhecida
de algum outro passado meu, marcha feliz, de pisar em poça de chuva.
Minha memória genética sabia o passo enquanto eu seguia o compasso segurando a sombrinha rendada
como quem empunha um estandarte de si mesma.

Eu Criança ria de

Eu Adulta Passo Miúdo Que
Não Deixa Molhar a Roupa de Mulher Feita.

Os calçados eram de

Eu Criança Ensopada de Marcha e Poça Disfarçada.

Encontrei uma

Criança Senhora Passos Comedidos

empunhando uma sombrinha estandarte de si mesma atendendo o chamado contente da missa que ia começar. 

Deus achou engraçado e tirou uma foto relâmpago. Esses mantiqueirais não tem jeito, não.

3 comentários:

  1. Boa noite querida Dalila.. maneira muito bela de dizer e descrever como somos..
    como a magia acontece nas pequenas coisas..
    como muitas vezes não paramos pra perceber isso.. tenhas uma linda noite abraços e até sempre

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  2. Maravilha me reconhecer e ver toda cultura em palavras. Gratidão por dar palco ao comum. Isso sempre me encantará! Abraços

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  3. Maravilha me reconhecer e ver toda cultura em palavras. Gratidão por dar palco ao comum. Isso sempre me encantará! Abraços

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