quinta-feira, 30 de abril de 2015

Grande Mãe


Desci com muito cuidado a escada de pedras atapetadas de úmidos musgos.

"Cada passo de uma vez,..." e pensando assim a senti antes de vê-la.

Meu corpo quente foi surpreendido como partícula pela lufada fria de vapor vivo.

Com tamanha energia, a gente tende a procurar de onde vem a sensação de ser pequenino.

A grandiosa presença deixava gotículas multicolores acima de meu olhar.

Meus olhos cuidavam para que meus pés passassem dos musgos para as pedras do rio.

Respirei umidamente as cores da água e só então a vi.

Entendi porque precisamos dar as mãos frente a algo grandioso - união é equilíbrio frente a vertigem.

A água rasa fluindo sobre tantas pedrinhas me diziam que tudo estava bem.

Cada passo naquela fluidez era um carinho recíproco.

Lavou de meus pés passos passados e me conduziu a pedra central do rio. Pedra mirante inverso, porque se observa fora o que dentro mora.

Ela fez dormir com sua paz uma a uma das minhas seguranças, vencendo primeiro as visíveis.

Pensei que se até as minhas seguranças dormiam frente a ela, eu estaria bem. 

Estávamos conversadas quanto a isso e podíamos Ser.

Minhas seguranças dormiram no meu colo...

Abandonei-me aos cuidados da Grande Mãe.

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