segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Dentro da Luz

Deitei-me.
Soltei-me como pequenino ser na Terra.
Cerrei meus olhos em respeito a imensidão que não posso alcançar.
Uni-me a Terra, somos uma só.
Senti-a me girando-me devagar, vagando com ela.
Olhos fechados pois abertos não podem ver.
Vi o mistério multicolor inalcançável.
O inatingível me disse que pertenço a ele,
mesmo sendo um pálido ponto azul junto com a Terra.
Que o amor a tudo permeia.
Estou dentro da Luz,
a Luz invisível que a tudo transpassa,
o escuro vácuo incluído.
Sorri porque vi que muitos outros pequeninos pontos estavam contemplando o Absurdo.
Agora rio de todo desespero de todos os desesperados.
O desespero não mora dentro da Luz.
É necessário reconhecer a nossa pequenez,
prostrar-se,
entregar-se aos olhos fechados para ver e ouvir
além do pequeno ponto que somos.
Muitos nomes são dados:
Meditar,
rezar,
orar,...
Não adianta nomes,
o que importa é o ato
e o fato
em si.
Serenos somos,
serenos,
serenos
pontos
dentro da Luz.



2 comentários:

  1. A percepção mística do mundo e a capacidade de nos sentirmos parte dele nos torna responsáveis por tudo o que existe. Parabéns.

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    1. Acho que a melhor parte dessa percepção é não nos sentirmos sós e desamparados. Nos sentirmos como me sinto agora, compreendida e apoiada para fazer meu pouquinho de bem por todo esse todo. Gratidão!

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